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Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

mentirosos...

01
Abr13

Granginha - Aldeia Histórica !!!  

 

 

   Segundo a Junta de Freguesia de Vale de Anta, foi aprovado o projecto de recuperação do casco antigo da Granjinha, bem como a requalificação da envolvente da capela, com incidência principal sobre a Villae Romana, com vista à sua classificação como Aldeia Histórica.

 

    O projecto co-financiado pelacomunidade Europeia em 75% e  em 25% pelo Igespar, engloba a requalificação do casco antigo da aldeia(financiamento para recuperar as habitações atendendo à antiga traça, soterrar as linhas eléctricas, substituição da iluminação pública no casco antigo por candeeiros de pé ou de suporte nas habitações, bem como pavimentação das ruas em laje de granito da região). O projecto compreende ainda a requalificação das ruínas romanas recentemente descobertas, bem como a expropriação de terrenos circundantes, onde se pensa estar o que resta da Vila Romana.

 

 

     Uma das casas em ruínas junto à capela, será adquirida para nela instalar o núcleo museológico da Granjinha, que receberá todas as peças já encontradas, aras, capiteis, mosaico romano, colunas, tegula e o material que virá a ser encontrado na zona envolvente, o referido museu terá ainda uma componente etnográfica.

 

 

        Finalmente numa segunda fase da Responsabilidade da Câmara Municipal, mas ainda previsto para este ano, a sinalética dos locais a visitar e de interesse histórico, esta parte extensível aos lugares de interesse e a monumentos da freguesia assim como as acessibilidades a estes locais que serão melhoradas, lembrar ainda que a ligação da Granjinha à sede de freguesia, será alcatroada, já que é a única aldeia da freguesia que não tem ligação pavimentada aos restantes lugares.

         Resta um agradecimento aos responsáveis (políticos e técnicos), que com a sua sensibilidade conseguiram pôr um lugar humilde mas com muita História apetecível para o turismo. Tornar assim esta região mais rica, pois o turismo gera riqueza e a Granginha será ainda mais um ponto de visita obrigatório no roteiro da região.

         Lembrar que todo este investimento tem a haver com a classificação da Granginha, como Aldeia Histórica!

         

           Bem-haja...

Rotas Turísticas...

16
Jun12

Granjinha

A Granjinha pertence ao município de Vale de Anta, a sudoeste de Chaves (distrito de Vila Real), numa das margens do rio Tâmega. A sua origem deve-se à ordem de Cister.
O topónimo, de origem agrícola, talvez fizesse referência à palavra latina granu-, e devia estar relacionado com os núcleos de povoação fundados dentro do território de dita ordem monástica, embora os vestígios arqueológicos testemunhem uma ocupação anterior.
A capela da aldeia foi construída no séc. XIII e foi declarada Imóvel de Interesse Público. É um dos mais interessantes templos românicos da zona, por causa da sua singularidade e da sua decoração. No seu perímetro foram encontrados vários vestígios de época romana, já que o edifício foi erigido sobre uma antiga vila, situando-se na via que comunicava Chaves (Acquae Flaviae) e a atual Braga (Bracara Augusta). A capela foi restaurada em distintas fases durante o século passado e foi numa dessas intervenções, em 1986, que se descobriu a vila romana.
O facto de a região possuir um terreno propício à agricultura, facilitou a continuidade de alguns povoamentos, que deram lugar a algumas das atuais localidades, numa sequência de ocupação que vem desde a Idade do Ferro.

 

O Plano de Intervenção Românico Atlântico é um projeto de cooperação transfronteiriça para o património cultural que prevê intervir em edifícios românicos das províncias espanholas de Zamora e Salamanca e nas regiões portuguesas do Porto, Vila Real e Bragança. COLABORAM:

Junta de Castilla y LeónIberdrolaPortugalLogotipos

História e Estórias...(cont.)

18
Abr12

               A Granginha -   Vista parcial de estruturas - Enterramento medieval sobre as estruturas romanas.      

 

   No que respeita a estruturas, diferenciam-se os inícios de dois âmbitos que parecem corresponder a outras tantas construções separadas entre si por um corredor de uns 60 cm de largura, interrompido de distância em distância por muretes transversais de apoio. Um dos âmbitos, o oriental, mostra uma esquina perfeitamente definida, sendo as suas paredes grossas, de uns 70 cm de largura, construídas com cortinas de silharejos perfeitamente esquadrados e assentes, comprimindo um entulho de opus caementictum. Do ocidental tão só se observa a presença da cortina exterior de uma das paredes de pedra, que mostrava as mesmas características arquitectónicas e robustez das suas vizinhas.

  

   A primeira das instâncias apresentava postes graníticos de apoio rectangulares, por vezes de secção tronco-piramidal, alguns deles todavia erectos e alinhados sobre um solo perfeitamente pavimentado com capa de argamassa, bem como outros removidos do seu lugar originário e encostados aos anteriores.

   

    Em face do exposto, a mencionada estância oferece duas possibilidades de interpretação: ou como hipocasto, com suspensurae de uma só peça, função que se viria confirmar pelos fragmentos de mosaico pertencentes ao seu possível solo de recobertura, ou como apoios de um solo de horreum (celeiro), facilitando  por sua vez a circulação do ar, como também sugerem os reforços laterais projectados contra o muro do segundo edifício que, em tal hipótese, pôde ter sido outra edificação das mesmas características e finalidade.

 

    O paralelo mais próximo, ainda que de maiores dimensões, achar-se-ia no pouco afastado acampamento de Aquis Querquennis não faltando tão-pouco em áreas mais distantes.

 

   Na época alto-medieval, talvez, e quando as edificações se achavam totalmente arruinadas, foi compartimentado o estreito espaço de separação entre edifícios para realizar enterramentos no dito lugar, como necrópole da vizinha capela, nalgum dos quais se percebem, no entanto, ladrilhos de assento e restos ósseos (figuras). Pouco mais se pode dizer, salvo que a excelente qualidade das estruturas está de acordo com a importância dos restos arqueológicos e epigráficos, com anterioridade conhecidos.

 

In, Aquae Flaviae II. O tecido urbanístico da cidade romana - António Rodriguez Colmenero

História e Estórias...

10
Abr12

  Com a intenção de mostrar a importância da Granjinha no tecido urbano da cidade romana de Aquae Flaviae, o que a sua história ainda oculta e por outro lado o desprezo com que muitas das vezes o nosso património é tratado, bem como esclarecer os que estão mal informados... sobre a história da Granjinha, transcrevo o constante na obra :

 

AQVAE FLAVIAE - II. O tecido urbanístico da cidade romana de António Rodríguez Colmenero. Pag.40

 Edição: Câmara Municipal de Chaves

 

 

II - Intervenção arqueológica da Granjinha (1986)

 

   A Granjinha, a 1500 m ao SW. de Chaves, e concretamente à volta da actual povoação, tem sido um lugar pródigo em achados arqueológicos e epigráficos de todo o tipo, desde os tempos de Thomé de Távora, achados que se têm acrescentado posteriormente.

 

    Em 1986, ante o anúncio do Sr. Cruz, proprietário da casa na qual com antecedência se tinham descoberto pequenos fragmentos de mosaico que actualmente se conservam no Museu da Região Flaviense, de que se pensava remodelar de imediato esta pequena instância, demandei através da CMC a permissão ao IPPC com fim de levar a cabo uma curta intervenção arqueológica, tendente a salvar o que pudesse restar in situ do referido mosaico.

 

     Porém a concessão da licença não chegou a tempo, muito embora a escavação se levasse a cabo segundo planos iniciais, pese a minha ausência e renúncia à mencionada intervenção (1); custe embora, e para que não se perca uma informação parcialmente valiosa, consinto em resumi-la para continuação.

 

    A estância em questão media 7,30 por 4, 20m, resultando a área escavada, por razões de segurança de somente 6,50 por 3,20m

 

                                                                                                                                             (Aspecto de ruínas descobertas)

 

    Pelo que pude deduzir, nenhum fragmento de mosaico se achava já in situ apesar das abundantes amostras de tessellae e fragmentos mussivários que foram exumados. É possível que este mosaico tivesse recoberto o chão de um hipocausto a cujos indícios vamos referir-nos depois, mosaico que seria destruído, dada a sua posição superficial, em datas relativamente recentes.

                                                                                                                                                                                              

 

(1) A concessão  da licença foi-se atrasando inexplicavelmente, sem notificação alguma, nem negativa, em positiva. Porém dado que a Câmara Municipal tinha concedido um oportuno subsídio económico para a dita finalidade, continuaram os preparativos para a breve escavação até ao dia mesmo do começo dos trabalhos, que consentimos iniciar com a esperança de que, requerido uma vez mais pelas autoridades da Câmara, chegasse ao fim, tal como acontecido no ano anterior.

    Mas, dado que nem sequer durante a segunda jornada se produziu tal circunstância, ausentá-mo-nos do lugar, comunicando ao IPPC, epistolarmente, a renúncia à direcção dos trabalhos e declinando toda a responsabilidade sobre o que no lugar pudesse realizar-se.

      Custe  embora, soube depois que a escavação tinha continuado segundo as pautas estabelecidas num princípio, ainda que desprovida da assistência necessária. Algum tempo depois de concluída, foram-me mostradas pelo Sr. Vereador do Pelouro da Cultura uma série de fotografias de diversos estratos do pequeno âmbito escavado, assim como materiais cerâmicos bastante abundantes, mas totalmente descontextualizados.

      Somente movido pelo desejo de que não se perca a informação, ainda que seja só sob a vertente arquitectónica, é que consenti em incluir aqui uma simples referência àqueles trabalhos e a sua possível interpretação, ainda que dispensado-me de planos e desenhos, que logicamente não possuo.

 

(as notas são do autor)                                                                                                                                                             (cont.)